Factores de desenvolvimento e riqueza no último século (XX)

O Caminho de Ferro: O desenvolvimento de Envendos, muito afectado pela interioridade e péssimas estradas existentes, vê este isolamento bastante reduzido com a inauguração do Caminho de Ferro em 5 de Setembro de 1894. As vantagens advindas para as nossas terras foram enormes pois se reflectiram em várias actividades às quais foi dado um grande impulso, contribuindo para o crescimento da população.
A agricultura, que satisfaz as necessidades de uma auto-suficiência de produtos vegetais diversos, principalmente hortícolas e cereais.
A caprinicultura é incentivada pelo poder de compra das populações, que vão consumindo alguns dos queijos e leite. A qualidade dos queijos provoca o interesse dos comerciantes.Mas os cabritos são bastante solicitados e “exportados”, constituindo um bom rendimento.. Os “talhos” existentes abastecem-se de animais da região. Foi esta actividade, nos meados do século, uma grande fonte de riqueza.
A suinicultura era representada pela criação do porco caseiro, pois era raro o agregado familiar que não tivesse pelo menos um, com aproveitamento dos restos de coziinha e da horta.
Na avicultura a “galinha do campo”, agora tão apetecida,(criada em liberdade) tem grandes efectivos que até possibilitam a “exportação” dos ovos..
O pinhal, com a exploração da resina e a utilização das madeiras, conhece nos meados do século uma grande actividade, valorizaçáo e fonte de riqueza bastante elevada.
O olival, atinge o apogeu nos meados do século, com 11 lagares, que laboravam durante 3 meses,
4 grandes armazenista e 2 exportadores de azeite, para o Ultramar e Brazil.
A Barragem da Pracana. na década de 40, possibilita trabalho a muita gente na sua construção, fixando por cá alguma..
A energia eléctrica só na década de 60 chega a Envendos e S.José das Matas, e na década de 80 é levada a todas as povoações da freguesia.
Mas foram as indústrias as grandes impulsionadoras do crescimento da população:
a salsicharia com várias unidades de características sazonais e artesanais desenvolve no inverno uma grande actividade a conserva de azeitonas, com tres fábricas e largo emprego feminino, fez de Envendos a freguesia do país com maior volume de preparação de azeitonas pretas para exportação confeitarias e licores, anexas a um armazém de distribuição de mercearias e outros produtos, possibilitando mais emprego e teve grande actividade
Das indústrias referidas apenas duas se mantem em actividade :
DAMATTA: com a maior e mais moderna fábrica nacional de presuntos
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PROBEIRA: preparando e exportando azeitonas em grande quantidade
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As Águas da Ladeira de Envendos

AS ÁGUAS DA LADEIRA DE ENVENDOS. que dispõem de nascente de fluxo constante e abundante ao longo de todo o ano, desenvolvem o engarrafamento de água de mesa nos finais do século. Porém as Termas mantem uma actividade estacionária há muitos anos. E sabendo-se dos efeitos benéficos para a saúde que muitas’pessoas ali vem collher, tem que se lamentar esta situação.

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Influência romana

Duas belas e sólidas pontes em Vale da Mua e na Pracana (Ladeira), construídas pelos romanos, foram obras de extrema importância para a freguesia dos Envendos; das vias romanas restava ainda há pouco tempo um pequeno troço de 6 metros, junto da ponte da Ladeira, ao longo da Pracana na sua margem direita, apresentando lageado poligonal, e sob ele uma camada de cal e areia.
Um grande rio é a artéria vital da região que percorre – ’estrada que anda’- no dizer de Pascal. Mas o Tejo, além das águas e dos aluviões que depositava nas margens, e das possibilidades de navegabilidade, transportava também em si o ouro, alvo de todas as ambições. Sabe-se hoje que este ouro foi explorado pelas populações autóctones, pelos Cartagineses e pelos Romanos.
Os romanos substituíam as estradas pela navegação fluvial sempre que isso era possível.
As populações, atraídas pelo Rio, fixaram-se devido ao ouro e na ribeira da Pracana, inúmeros “algares” são vestígios da exploração subterrânea. O próprio nome da ribeira parece ter a origem ligada ao ouro: Os povos chamavam aos blocos de ouro retirados dos poços palacres ou palacranas
palacrana » paracana » peracana » pracana
O maior benefício da romanização, do ponto de vista económico, terá sido o de ter transformado um povo de guerrilheiros e pastores num povo de agricultores e comerciantes.
As “ferrenhas” e os “algarves” próximo de S.José das Matas são referências desta actividade mineira na freguesia de Envendos.
Em vários sítios da freguesia tem sido encontrados vestígios de fixação dos romanos, o que é natural devido à sua actividade exploradora da região, que atinge a maior importância no Vale de Grou onde se tem encontrado blocos de granito trabalhado, que indiciam a existência de uma povoação de certa importância. Mas a profundidade a que são encontrados sugere a idéia de um terramoto. Aliás é nessa convicção que ainda hoje subsiste a lenda
Adeus Vila do Vilar
Que um terramoto te há-de arrasar!
Os termos latinos “VILLA” e “VILLAR”significavam o antigo agregado senhorial, constituído pelas vivendas do possessor e pelas dos seus servos domésticos.(4)
Parece que no Vale da Mua e no Vilar da Lapa também existiram povoações romanas, pois lá tem sido encontrados blocos de granito aparelhado e restos de cerâmica fragmentada.
Na “Tapada”, em S.José das Matas, uma variedade de fragmentos de cerâmica são indícios de fixação romana, o que não é de estranhar devido à proximidade do Tejo e da Ocreza onde desenvolviam uma grande actividade agrícola, pesqueira e de exploração de minérios.
“Uma cultura importante seria a das abelhas, pois os montes cobertos de flores aromáticas são-lhe naturalmente propícias e o mel era o açúcar da época. Os melhores rendimentos eram retirados da cabra, do linho, do centeio e da cevada. Pensamos que as oliveiras não seriam em grande número”.

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Na Pré-história

“O homem procuraria os borques pouco densos sem se afastar dos rios, proporcionando-lhes uns e outros a caça e a pesca, o abrigo das árvores e, ocasionalmente, de grutas, as quais embora pequenas são muito frequentes à beira da água, como ê o caso da Cova da Moura, na Ribeira do Ameal, freguesia dos Envendos”.
Nas margens do Ocreza, foram recentemente encontradas gravuras de arte rupestre que, segundo estudo dos arqueólogos, deverão situar-se no paleolítico e ter mais de 20 mil anos.
Os Lusitanos eram um povo aguerrido que ocupou o território; erguiam no alto dos montes grossas muralhas de pedra solta, ditas”casfros”, e dentro delas construíam as suas cabanas feitas de pedra. O conjunto dessas casas denominava-se “citânia”.
‘Lentamente estes aldeamentos foram-se coroando de muralhas de pedra sêca, mais ou menos iimportantes, consoante a situação das ciitânias, cuja vida se manteve intensa até à ocupação romana”.(2).
Destas defesas são referências os Castelos Velhos de
Vilarda Lapa sem vestígios aparentes na actualidade
Zimbreira a 432 metros de altitude, que oferece um admirável panorama, de uma beleza surpreendente, de onde se avistam Portalegre, Marvão, Castelo de Vide, Castelo Branco,
Abrantes, etc.
Vale de Grou a 308 m. de altitude

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Localização

“Quem fundou a povoação de Envendos escolheu bem o local, pois está defendido do norte pelas montanhas; corre-lhe ao pé uma ribeira de frescas e abundantes águas, responsável por parte da fertilidade dos seus campos. Estava na estrada que ligava Castelo Branco e o Alentejo por Barca da Amieira. ”
Também passava próximo a estrada que desde os romanos ligava Castelo Branco a Abrantes, passando pela ponte da Ladeira. Água Quente, Venda Nova, Vilarda Lapa, Mação.
“A cultura da vinha e olivais nas encostas do Tejo, Pracana e Ocreza, que lhes ficam próximos, é remune­radora”. Também a procura do ouro nas margens daqueles rios foi motivo para o interesse pelo local.
É estranho que uma povoação que, como veremos a seguir, no censo de 1527 tivesse apenas 4 “vizinhos” fosse em 1522 sede da freguesia e do “cõncello dos Evêdos. Só se pode entender que tal acontecesse pela sua localização no centro da freguesia (ou do “cõcelho”) e no cruzamento de vias importantes.
É nossa convicção que o local, extremamente valorizado por vários factores, fosse propriedade de algum “senhor”, e que a sua posição estratégica e o seu valor, fossem entendidos pelos “Freires” da Ordem e os levassem a aproveitá-lo como “polo” de desenvolvimento da região.

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Ordem do Hospital, de S.João do Hospital ou dos Hospitalário

Teve os seus estatutos aprovados em 1113 pelo Papa Pascoal II e a sua designação deve-se certamente às actividades a que estiveram ligados os seus componentes desde o início e que levaram à sua fundação: necessidade de assistência e protecção aos peregrinos que atingiam a cidade Santa de Jerusalém em condições físicas muito precárias, enfraquecidos por alimentação deficiente e diferente daquela a que estavam habituados. Esta necessidade tinha já sido reconhecida anteriormente pelos habitantes de um bairro cristão de Jerusalém que por volta de 1048 fundam um albergue.
“Quase desde o início da sua fundação os freires hospitalários escolheram como seu emblema uma cruz branca de 8 pontas que se pensa representarem as 8 Bem-aventuranças do reino de Deus”
A sede da Ordem passa depois por vários locais: S.João de Acre, (na Síria) ; Limassol (Chipre) e Rhodes.
Em 1530, é-lhes entregue a ilha de Malta e passam a chamar-se cavaleiros da ordem de Malta.
É o infante D.Luiz, irmão de D.João III, quem toma posse, em 1522, da “vila do Crato, cabeça do priorado
da Ordem, e da vila e igreja de Belver, da igreja de Evendo freguesia do cõcelho dos Evendos e
povoação do priorado . ”
As Ordens Militares de índole religiosa, constituíram em Portugal um grande apoio aos nossos primeiros reis e a sua fixação foi solicitada para defesa contra os mouros, no povoamento e defesa das populações e até, mais tarde, na defesa do reino contra a expansão de Castela.
Foi por isso que D.Tereza, mãe de D.Afonso Henriques, entre 1122 e 1128, fez doação do Mosteiro de Leça do Balio à Ordem dos Hospitalários, para sua sede em Portugal.
Mas as conquistas para o Sul obrigaram à presença e fixação das Ordens Militares:
Hospitalários:    Belver (1194), Crato (1232)
Santiago : Alcácer, Palmeia , Almada (1186)
Calatrava : Évora, Santarém, Lisboa, Mafra. Coruche, Benavente (1201)
“Aceitemos então que a sede da Ordem tenha transitado directamente do mosteiro de Leça do Balio para o de Flor da Rosa. perto do Crato, por volta de 1350″